Projeto de lei Municipal que prevê entrega de bíblia em escolas, causa polêmica nas redes sociais. Entenda o caso:

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Kiko Beloni  autor do projeto-Imagem do Site da Câmara Municipal

Projeto do vereador Kiko Beloni prevê entrega de bíblia para alunos da rede pública

Está em tramitação na Câmara projeto de lei do vereador Kiko Beloni (PSB) que prevê a entrega de bíblias para alunos da rede pública de ensino, em Valinhos. O projeto causou polêmica nesta semana quando o artista plástico Fábio Vieira demostrou sua indignação contra a lei. Em uma publicação em um famoso grupo do Facebook, o“post” gerou mais de 422 reações 394 comentários, muitos a favor de Fábio outros a favor do projeto.

Na Publicação Fábio afirma “ Esse tipo de lei só mostra o retrocesso doutrinário absurdo que estamos vivenciando, ignorando totalmente a laicidade do Estado.”

fabio

Publicação de Fábio em seu perfil no Facebook.

O Artista plástico acredita que o Estado é laico e não deve se intrometer na educação religiosa das crianças, em entrevista ao Valinhense o artista diz “Esse projeto é um nati morto. A Bíblia atende somente as vertentes cristãs, ou seja, todas as outras denominações religiosas, como as orientais e de culto-afro por exemplo, serão automaticamente excluídas. Doutrinar as crianças com religião ou não cabem somente aos pais.”

Segundo o autor do Projeto vereador Kiko Beloni, o programa que o leva o nome de “Primeira Bíblia da Criança e do Adolescente” tem como alvo fazer nascer a fé e proporcionar aos alunos o conhecimento do texto da Bíblia Sagrada.

Além da dar exemplares da bíblia a alunos da educação municipal , o projeto prevê também a oferta de assistência religiosa às crianças e adolescentes.

O vereador acredita que a falta do conhecimento da bíblia causa prejuízos para a sociedade brasileira. Conforme está escrito no processo elaborado por Kiko para respeitar a opção de cada família, os responsáveis pelo aluno seriam informados previamente sobre qualquer ação do programa.

Para o advogado Silvio Renato dos Santos, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB seccional de Valinhos, princípios cristãos podem ser importantes para formação de um indivíduo na sociedade, mas segundo Renato não se pode esquecer que a legislação brasileira garante um Estado laico, ou seja, um país com uma posição neutra no campo religioso, e no ponto de vista legal não tem cabimento uma lei municipal que estabeleça distribuição de bíblia em uma escola pública. O Advogado completa “imagina se outro vereador faz uma lei para dar o alcorão para crianças, pessoas de outras crenças vão achar um absurdo”. Na opinião do jurista o ser humano sempre vai discordar da fé alheia.

O projeto depende de parecer das comissões internas da Câmara antes de ir à votação.